Análise: DJ Alpiste – Pra Sempre

28 09 2007

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“Seu país não está em guerra, mas passa fome, aqui o nosso bush tem outro nome”.

“A bala perdida matou mais um inocente. Morreu de overdose mais um dependente”.

“Música banal vende e faz sucesso. Toca no rádio e você até compra ingresso”.

“Quem roubou no mensalão foi leito de novo as custas da ignorância de um povo”.

Dj Alpiste está de volta com suas rimas polêmicas e confrontantes que abordam temas como sexo, prostituição e questões sociais. Quebrando tabus no meio evangélico desde 1990 o rapper lança seu novo trabalho que traz cinco canções inéditas ao lado de sete regravações remixadas.

Assim como seu disco anterior – “Coisas Que Você Precisa Ouvir” – “Pra Sempre” foi produzido pelo próprio cantor, vem com o selo da Leonel Line na produção executiva e projeto gráfico de Anderson Novais. Marco Leonel lançou ano passado, além do Alpiste, os álbuns de Tina, Scooby e Panthro, entre outros.

Após uma intro estilo ano 80 criada por Dj Katatau o rapper surge com “Só Deus Pode Me Julgar“. Com rimas auto indicativas (uma particularidade do rap e hip hop, seja secular , seja gospel, são esses momentos em que os rapper rimam falando sobre si mesmo) a canção versa sobre “nossa prestação de contas que vai ser individual” (Romanos 14:12).

A melhor música é “Vai Voltar” que versa sobre a volta de Cristo, nossa bendita esperança. O refrão traz o reforço vocal de Jadiel, A primeira estrofe traz uma série de frases reflexivas, a segunda narra um assalto a banco e a terceira uma série de frases otimistas em relação a mudanças na sociedade mediante a operação do Espírito Santo.

As bases estão muito boas. Batidas funkeadas com diversos efeitos deixam os hinos com uma levada bem dançante.

Pela Grana” possui uma pegada estilo Dr Alban. Interpretado por Alpiste, Nill e Mc Carlinhos a canção versa sobre I Timóteo 6:10: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.

Voltando ao estilo auto indicativo “O Que Eu Mais Quero” narra as desventuras de Alpiste com Tina. No CD “Fanático” já havia rolado um desabafo deste tipo na música “Saudade de Você“, depois de uma reconciliação parece que as cosias não deram certo de novo.

A partir deste ponto começam os remixes. A primeira escolhida é “Vencer o Mal” encontrada no segundo disco do rapper. Esta versão traz uma roupagem meio anos 70. Ficou legal, mas a versão original e até mesmo a versão acústica também já são muito boas. Na verdade todos os hinos remixados fizeram parte do acústico. Poderiam ter escolhida outras.

Guerreiro do Senhor” traz uma pegada conduzida por um groove de baixo-batera e o refrão é cantado com efeitos ralentando a rotação.

Fanático” vem com uma roupagem dance anos 80 muito usada no inicio da “house music” conhecida como dubs (não confundir com overdubs que são acertos feitos no instrumental após uma gravação ao vivo). Detalhes de piano conduzem o louvor.

A música que ficou mais diferente foi “Louvado Seja“. Mantém a pitada de samba, mas vem sem a linha de baixo que caracteriza o hino. Com certeza a versão original (e até mesmo a acústica) é mais impactante.

Uma enquête abre “Depois do Casamento” que retrata um diálogo entre um casal, onde o cara quer ter algo mais intimo com sua namorada e usa como argumento o sentimento que existe entre eles, mas a garota mostra que uma coisa não tem nada haver com a outra, ela até gostaria, mas prefere esperar o casamento por causa do seu compromisso assumido com Deus.

Cidade Nua” é mais uma critica contra nossa sociedade materialista que dá mais valor ao ter do que ao ser. E pior ainda, que nos convence a sempre querer ter mais. Que nos convence em sempre estarmos insatisfeitos com o que temos e somos.

DJ Alpiste ficou conhecido nacionalmente desde a época do Kadoshi, mas alcançou projeção nacional mesmo em seu segundo álbum, especialmente por causa da faixa Inimigo, que foi sucesso também no meio secular. No encarte do disco está escrito que a musica foi escrita em parceria com rapper Mv Bill, mas foi um erro de impressão da capa, ela é de autoria exclusiva de Alpiste.

Aqui recebeu uma versão mais trash, em relação a versão original e em relação a versão acústica que tinha ficado bem pop. Particularmente, ainda prefiro a original. É mais densa.

DJ Alpiste remarca sua presença com mais um trabalho de qualidade que veio somar na black music nacional… mas ficou devendo um álbum com um número maior de inéditas no repertório.

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